Home       Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2018

Lendico prepara FIDC de R$ 100 milhões

A Lendico, fintech de crédito que tem como sócios a alemã Rocket Internet e o banco BMG, pretende lançar em junho um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FDIC) no valor de R$ 100 milhões.

A emissão faz parte da estratégia de diversificação de receitas que a companhia pretende colocar em prática ao longo de 2018.

Como não tem recursos próprios para emprestar, a Lendico só ganha dinheiro na forma de comissões sobre empréstimos que gera para outras instituições. Com o FDIC, passa a ter recursos próprios e a ganhar também com o spread. Os juros dos empréstimos oferecidos pela Lendico variam entre 3,5% e 5% ao mês.

De acordo com Marcelo Ciampolini, presidente da companhia, a ideia é oferecer um retorno de CDI mais 5% na cota sênior do FDIC. "O mercado está com apetite, as pessoas estão atrás de opções diferentes de investimentos. E nós trabalhamos com empréstimo pessoal, que não é nada muito complicado de entender", disse o executivo. Segundo ele a operação ainda está sendo formatada. "Temos duas possibilidades de estruturadores, mas não fechamos nada", disse.

Desde que chegou ao Brasil, em 2015, a Lendico gerou mais de R$ 170 milhões em empréstimos. Só no ano passado, foram R$ 124 milhões. Para 2018, a expectativa é dobrar esse montante, chegando a R$ 250 milhões. Em fevereiro, a Lendico registrou aumento de 50% nos pedidos de empréstimos em relação ao mesmo mês de 2017. O crédito para financiar compras de eletrônicos e eletrodomésticos avançou 91%, representando um em cada cinco pedidos feitos.

Uma das formas de fazer o volume crescer mais rápido em 2018 é aumentar o índice de aprovação de empréstimos. Só que o plano não envolve ser menos rigoroso na avaliação dos oito mil pedidos recebidos diariamente. O plano é ampliar as opções de empréstimos oferecidos, aumentando o número de vezes que a empresa diz "sim" a quem faz um pedido. Funciona assim. Os consumidores que não tiverem seu pedido aprovado para o crédito de menor custo, receberão uma proposta com taxa maior.

A primeira inciativa nesse sentido entrou no ar há duas semanas, com o banco CBSS, do BB e do Bradesco. Com isso, a Lendico passou a oferecer linhas de crédito com juros de 12% ao mês. Assim, a expectativa é que a taxa de aprovação de empréstimos, que hoje está em 1,5%, passe para 4%. Uma segunda parceria está sendo costurada, o que pode elevar a barra para 7%. Ciampolini não revela a taxa de inadimplência.

O BC prevê apresentar em abril regras que vão reger a atuação das fintechs de crédito. A proposta divide a atuação delas em dois grupos: as sociedades de crédito direto (SCD) e as sociedades de empréstimo entre pessoas (SEP). Essa segunda forma também é conhecida como "crowdfunding".

Na avaliação de Ciampolini, uma vantagem trazida pela proposta é que as empresas poderão deixar de usar o modelo de correspondente bancário usado hoje. Mas no plano para 2018, a possibilidade de migração para o novo formato nem foi incluída. "Ainda há incertezas", diz, citando a questão da aprovação presidencial necessária para o funcionamento de instituições com capital estrangeiro - caso de praticamente todas as fintechs de crédito.

Fonte: Valor Econômico