Home       Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2018

Sócios da XP criam bolsa de criptomoeda com corretagem zero

Depois de quase dois anos de planejamento, os sócios da XP Investimentos lançam hoje a sua própria "exchange" de criptomoedas. Chamada de Xdex, a bolsa - ou corretora - de moedas virtuais terá uma estrutura completamente apartada da XP Investimentos.

A razão, segundo os sócios, é que os chamados criptoativos não são valores mobiliários e não podem ser distribuídos por uma corretora.

Com a meta de chegar a 1 milhão de clientes daqui a um ano, a Xdex decidiu trabalhar com corretagem zero para transação de bitcoin e de 0,25% para ethereum - no mercado brasileiro, o preço médio da corretagem de moedas digitais é de 0,5%, dependendo do volume negociado.

Diferentemente do esperado, os clientes da XP Investimentos não terão qualquer tipo de benefício para negociar criptomoedas na Xdex. Segundo Celina Ma, presidente-executiva da bolsa, não haverá nenhuma vantagem para o cliente da XP em termos de abertura de conta e de tarifa.

"Não queremos fazer o investidor pensar que se trata de um investimento tradicional como se fosse em renda fixa, um fundo ou mesmo ações. Trata-se de um ativo diferente, com características e riscos próprios. Todos os usuários deverão passar pelo mesmo processo para abertura de conta na Xdex. Não haverá nenhuma integração. São estruturas totalmente segregadas", disse Celina, executiva recém-contratada que veio do Mercado Pago. Ela afirma que os clientes serão "chamados" de acordo com a ordem da "fila de inscrição", após o preenchimento do cadastro.

O banco Itaú Unibanco, que tem 49,9% da XP Investimentos, decidiu ficar fora do novo negócio. Na sociedade, estão apenas a gestora de private equity General Atlantic, com 37%, e os demais executivos sócios da XP, com os 63% restantes. O negócio marca a entrada da General Atlantic no mercado de criptomoedas no mundo.

A nova empresa chega determinada a mudar a concorrência das transações com criptomoedas no país, que gira cerca de R$ 10 milhões por dia, dependendo do câmbio e do valor do bitcoin. Ontem, a moeda virtual mais popular foi negociada a US$ 6.697, segundo a bolsa de Chicago, 66% abaixo dos US$ 20 mil de dezembro de 2017. Juntas, as corretoras Mercado Bitcoin, Foxbit, Bitcoin Trade e Braziliex têm mais de 90% das transações.

O mercado de criptomoedas brasileiro tem entre 1,5 milhão e 3 milhões de CPF diferentes, dependendo da contabilização. É mais do que os 740,5 mil investidores pessoa física da bolsa B3. Só a XP, que é a maior corretora no segmento, tem 730 mil clientes pessoa física.

Para entrar no segmento, os sócios da XP afirmam que estudaram esse mercado e tomaram os devidos cuidados para cumprir regras de prevenção a lavagem de dinheiro. Por exemplo, a Xdex só recebe e envia transferências de valores em reais - não há possibilidade de os recursos chegarem em bitcoin ou em outra moeda digital, mesmo que seja de uma conta do mesmo cliente. "Estruturamos uma equipe de compliance para assegurar o cumprimento das políticas e regras de aceitação de cliente, o monitoramento de transações, a diligência de parceiros e a implantação de um programa de prevenção a lavagem de dinheiro", disse Celina.

"Nosso objetivo é ser protagonista nesse mercado focando em segurança, compliance e totalmente blindados em relação à possibilidade de lavagem de dinheiro ou até mesmo o uso do criptoativo como meio de pagamento ou realização de câmbio", disse Fernando Ulrich, economista-chefe da Xdex.

Fonte: Toni Sciarretta, do Valor