Home       Domingo, 21 de Outubro de 2018

Sócios da XP criam bolsa de criptomoeda com corretagem zero

Depois de quase dois anos de planejamento, os sócios da XP Investimentos lançam hoje a sua própria "exchange" de criptomoedas. Chamada de Xdex, a bolsa - ou corretora - de moedas virtuais terá uma estrutura completamente apartada da XP Investimentos.

A razão, segundo os sócios, é que os chamados criptoativos não são valores mobiliários e não podem ser distribuídos por uma corretora.

Com a meta de chegar a 1 milhão de clientes daqui a um ano, a Xdex decidiu trabalhar com corretagem zero para transação de bitcoin e de 0,25% para ethereum - no mercado brasileiro, o preço médio da corretagem de moedas digitais é de 0,5%, dependendo do volume negociado.

Diferentemente do esperado, os clientes da XP Investimentos não terão qualquer tipo de benefício para negociar criptomoedas na Xdex. Segundo Celina Ma, presidente-executiva da bolsa, não haverá nenhuma vantagem para o cliente da XP em termos de abertura de conta e de tarifa.

"Não queremos fazer o investidor pensar que se trata de um investimento tradicional como se fosse em renda fixa, um fundo ou mesmo ações. Trata-se de um ativo diferente, com características e riscos próprios. Todos os usuários deverão passar pelo mesmo processo para abertura de conta na Xdex. Não haverá nenhuma integração. São estruturas totalmente segregadas", disse Celina, executiva recém-contratada que veio do Mercado Pago. Ela afirma que os clientes serão "chamados" de acordo com a ordem da "fila de inscrição", após o preenchimento do cadastro.

O banco Itaú Unibanco, que tem 49,9% da XP Investimentos, decidiu ficar fora do novo negócio. Na sociedade, estão apenas a gestora de private equity General Atlantic, com 37%, e os demais executivos sócios da XP, com os 63% restantes. O negócio marca a entrada da General Atlantic no mercado de criptomoedas no mundo.

A nova empresa chega determinada a mudar a concorrência das transações com criptomoedas no país, que gira cerca de R$ 10 milhões por dia, dependendo do câmbio e do valor do bitcoin. Ontem, a moeda virtual mais popular foi negociada a US$ 6.697, segundo a bolsa de Chicago, 66% abaixo dos US$ 20 mil de dezembro de 2017. Juntas, as corretoras Mercado Bitcoin, Foxbit, Bitcoin Trade e Braziliex têm mais de 90% das transações.

O mercado de criptomoedas brasileiro tem entre 1,5 milhão e 3 milhões de CPF diferentes, dependendo da contabilização. É mais do que os 740,5 mil investidores pessoa física da bolsa B3. Só a XP, que é a maior corretora no segmento, tem 730 mil clientes pessoa física.

Para entrar no segmento, os sócios da XP afirmam que estudaram esse mercado e tomaram os devidos cuidados para cumprir regras de prevenção a lavagem de dinheiro. Por exemplo, a Xdex só recebe e envia transferências de valores em reais - não há possibilidade de os recursos chegarem em bitcoin ou em outra moeda digital, mesmo que seja de uma conta do mesmo cliente. "Estruturamos uma equipe de compliance para assegurar o cumprimento das políticas e regras de aceitação de cliente, o monitoramento de transações, a diligência de parceiros e a implantação de um programa de prevenção a lavagem de dinheiro", disse Celina.

"Nosso objetivo é ser protagonista nesse mercado focando em segurança, compliance e totalmente blindados em relação à possibilidade de lavagem de dinheiro ou até mesmo o uso do criptoativo como meio de pagamento ou realização de câmbio", disse Fernando Ulrich, economista-chefe da Xdex.

Fonte: Toni Sciarretta, do Valor