Home       Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2018

ESPECIAL - Profissionais com mais de 50 se redescobrem nas startups


Embora as startups – especialmente as de tecnologia, como as fintechs – invariavelmente tenham seu nome atrelado a jovens descolados recém-saídos da faculdade, porém arrojados na hora de apostar em uma ideia, a realidade tem mostrado um aspecto curioso neste mercado.

Ano após ano, cresce o contingente de profissionais “mais maduros”, geralmente com mais de 50 anos, que têm se destacado na arte de empreender. Boa parte dessas pessoas ou não conseguiu se recolocar em uma nova vaga de trabalho e investiu o FGTS em um negócio próprio, ou simplesmente decidiu mudar de atividade.

claudia montezuma1Muitas dessas pessoas certamente nunca antes haviam pensando em atuar em uma startup, caminho que mais adiante poderá ser trilhado pela matemática e administradora de empresas carioca Claudia Montezuma, que deseja se recolocar no mercado após ficar sete anos afastada do mercado para se recuperar de uma doença neurológica.

“Fazer uma startup talvez seja um caminho. Se não for, é um caminho para eu voltar a pensar, a conversar com pessoas do mercado, a não pensar só em doença e fisioterapia”, resumiu a futura empresária, que se formou na primeira turma do curso de MBA em gestão de varejo do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Aos 61 anos, Claudia foi uma das participantes da segunda edição do curso “Startup 50+”, realizado em São Paulo pela MaturiJobs, entre os dias 16 e 31 de outubro, que permitiu um mergulho no universo de startups, tecnologia e inovação com conteúdo e metodologia desenvolvidos especialmente para pessoas maduras.

Mais conhecimento

eduardo fernandes1Com passagens por algumas startups e ainda com muita vontade de aprender novos conceitos sobre o empreendedorismo por trás desse tipo empresa, o consultor autônomo Eduardo Fernandes (ao lado), 59, já atua há algum tempo prestando consultoria de negócios envolvendo gestão e modelos comerciais e omnichannel.

“Vim atrás de mais conhecimento para poder me envolver em startups de vários segmentos. Este é um mercado em constante transformação, que gera negócios de forma muito veloz. Por isso, convém buscar novas alternativas e ferramentas para compartilhar informações e construir um bom networking”, argumenta.

Bagagem

silvio josé lenzi1O curso também recebeu gente como o representante comercial Silvio José Lenzi, 51 (ao lado), que fez o curso justamente para conhecer o universo das startups.

“Vim com uma expectativa, mas acabei me surpreendendo, porque o meu conhecimento sobre o tema era muito limitado. Saio daqui levando uma bagagem muito grande”, resumiu.

Desmistificação

Organizador do treinamento, o engenheiro de software e fundador da MaturiJobs, Mórris Litvak (abaixo, à direita), salientou que o objetivo de cursos como este é desmistificar a ideia de que somente os jovens têm lugar nas startups.

morris litvak1“Se por um lado falamos com as empresas sobre a importância da contratação de pessoas acima de 50 anos, tentando quebrar esse paradigma de que tecnologia é coisa de jovem, minimizando o preconceito etário, ainda muito forte no mercado de trabalho brasileiro. Por outro, abordamos esse público, os maturis, e levamos a eles atualização, capacitação e orientação, a fim de torná-los aptos para se manter ativos no mercado de trabalho, dentro ou fora das empresas”, explica.

Fundada em 2015, a MaturiJobs surgiu durante o auge da crise econômica, que fechou milhares de postos de trabalho no país, muitos deles antes ocupados por pessoas mais maduras.

“Vendo o sofrimento dessas pessoas, fui pesquisar para ver o que estava sendo feito a esse respeito, se existia algo no mercado para a recolocação profissional, e descobri que nada havia, nem governo, nem empresas estavam olhando para isso. Vi uma oportunidade de negócios e de impacto social”, lembra.

O interesse por uma nova chance no mercado para mão de obra com mais de 50 anos é tamanha que atualmente a MatutiJobs tem uma lista com 80 mil pessoas cadastradas em seu site.

“Boa parte está esperando vaga, muitos buscam conteúdo para se atualizar e aprender algo novo para empreender, mas muitos deles também não têm condições financeiras para pagar um curso”, ressalta.

Sem filosofar

maturijobs miolo1

Responsável por coordenar o que chama de “encontro”, o engenheiro eletrônico Fernando Brisola Batista (ministrando a aula), com passagens pela P&G, Microsoft e Bolsa de Valores, acumula ampla experiência em startups.

“Como eu respiro startup o dia inteiro, tento mostrar a eles como é criado e funciona esse tipo de empresa; porque muitas têm estrutura enxuta; como devem se proteger para não cair em armadilhas; por onde devem ir; quais os cuidados a se tomar; como promover uma boa gestão de pessoas e projetos. Enfim, procuramos ser muito práticos. Então, nesse curso, não dá para filosofar muito”, complementa o especialista.

Texto e fotos: Fintechs Press

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