Home       Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018

ESPECIAL - Fintechs brasileiras já começam a mirar investimento estrangeiro

A entrada em vigor do Decreto nº 9.544/2018, na semana passada, deixou em polvorosa o segmento de fintechs de crédito, uma vez que a nova legislação autorizou o aporte de até 100% de capital estrangeiro nas Sociedades de Crédito Direto (SCD) e Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP).

Representantes da cadeia produtiva do setor ouvidos pelo Fintechs Press, incluindo advogados especializados na área, entendem que o Decreto beneficiará diretamente a competição no mercado brasileiro de crédito, pois vai ajudar a diminuir a concentração bancária num país onde cerca de 85% das operações financeiras estão nas mãos de cinco bancos – Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander.

Mathias Fischer diretor da ABFintechs - Divulgação 1a“Uma regulamentação é bem-vinda nos modelos de negócio em que haja insegurança jurídica, a exemplo das fintechs de crédito”, afirma Mathias Fischer, diretor da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs).

De acordo com a entidade, 21% das startups de tecnologia para o setor financeiro estão na área de crédito.

“A medida também favorece a competição internacional, uma vez que essas fintechs brasileiras estejam mais capitalizadas”, analisa o dirigente.

Em sintonia com o tema, a ABFintechs discutirá a atração de capital de risco e a internacionalizaçao das fintechs no dia 13 de novembro, em São Paulo, durante o Fintopics 2018. Os leitores do Fintechs Press, que apoia o evento como "Parceiro de Mídia", têm 50% de desconto na inscrição.

pag!

Felipe Félix CFO do pag“O Decreto aumentará a competição no mercado interno de crédito, criando um ambiente propício para a redução dos spreads bancários. Da mesma forma, a entrada de novos players gerará um fluxo virtuoso de desenvolvimento de novas tecnologias, soluções e melhores produtos para os clientes, que, com certeza, serão os maiores favorecidos a partir dessa decisão”, afirma Felipe Félix, CFO do pag!.

Segundo ele, a empresa está em fase de avaliar alternativas para alavancar os negócios, e isso passa pela busca de investimentos, não só estrangeiros mas também locais. Em pouco mais de um ano no mercado, a fintech evoluiu com recursos próprios e resultados de sua operação. Nesse período, recebeu 3 milhões de pedidos e chegou a 500 mil cartões aprovados. Depois de faturar R$ 65 milhões em 2017, projeta terminar este ano com R$ 75 milhões.

“As SEPs são empresas que facilitam a comunicação e a análise entre quem quer emprestar e quem empresta recursos no mercado. Por possuirmos uma instituição financeira desta natureza no nosso Grupo – a Avista –, as SEPs poderão ser extremamente positivas para nós”, avalia Félix.

TrustHub
Marcelo Otelac gerente de auditoria e compliance da TrustHub 1aParte de um grupo empresarial especializado em crédito e empréstimo com mais de 30 mil clientes, a TrustHub tem 100% de seu capital fechado, porém, no atual cenário, não descarta a possibilidade de trazer capital estrangeiro para ampliar negócios e o desenvolvimento tecnológico.

“Se houver a busca por investidores, certamente alocaremos os recursos em desenvolvimento tecnológico, para tornar os processos mais ágeis, amigáveis e seguros, tanto para o cliente quando a empresa, pois a soma de todos esses pontos reflete-se em menores custos”, admite Marcelo Otelac, gerente de auditoria e compliance da empresa.

O executivo acredita que neste novo cenário em formação as SCDs terão papel importante, visto que abrirão uma vantagem expressiva frente às grandes instituições financeiras no tocante a custo, agilidade e praticidade. "Além de atender um nicho que estava abandonado pelas grandes instituições, ora por custos altos, ora por desinteresse”, enfatiza.

Firgun
Fabio Tanaka e Lemuel 1aEmbora neste momento não tenha a intenção de buscar capital externo, uma vez que sua prioridade é consolidar a marca como uma plataforma de crowdlending para empreendedores de baixa renda, a fintech social Firgun também não descarta a estratégia.

“Futuramente, se tivermos investimento externo, uma possibilidade é utilizar o capital para abrir uma frente de SCD, pois trata-se de opção vantajosa tanto para o investidor, que terá uma rentabilidade maior no curto e médio prazo, quanto para nós, que poderemos ofertar outras possibilidades de crédito para os clientes”, argumenta Fábio Takara, sócio-fundador da empresa (à esq., ao lado do sócio Lemuel Simis), que hoje conta com 150 investidores e 13 microempreendedores na carteira de clientes.

TuTu Digital
Alan Martins fundador e CTO da TuTu Digital 1aFundada em maio de 2017 e com faturamento de R$ 30 milhões previsto para este ano, a TuTu Digital tem mantido contato com investidores nacionais e estrangeiros.

“É um caminho natural dentro do setor, para que se possa tracionar.  Em nosso planejamento estratégico já temos onde e quanto investir por segmento . Somos uma empresa de tecnologia que presta serviços financeiros, e  é nessas áreas que mais pretendemos dar ênfase, inclusive no marketing”, salienta Alan Martins, fundador e CTO da companhia.


Antecipa Fácil

Elber Fabrício Laranja sócio-fundador da Antecipa FácilHá somente dez meses no mercado e responsável por ajudar micro e pequenas empresas a manter o capital de giro e a movimentar mais de R$ 4 milhões em notas fiscais, a campineira Antecipa Fácil vê, na entrada de novas modalidades de agentes de crédito, uma forma de democratizar as oportunidades de ganhos para investidores e melhorar o acesso para os tomadores.

“No médio prazo, devemos ir ao mercado buscar recursos para investimentos em marketing e tecnologia da informação. Temos um roadmap ambicioso de modernização contínua da nossa plataforma, com a ampliação de serviços e agilização de processos que melhorem a experiência do usuário. Além disso, vamos ampliar os canais de comunicação com potenciais usuários para aumentar e consolidar o nosso market share”, comenta Elber Fabrício Laranja, sócio-fundador da empresa, recentemente premiada no InovaCampinas.

Sistemas
Edson Alves Junior Ricardo Gruber Bernstein e Rogério Barbosa Borges sócios RGBsysDesenvolvedora de sistemas para empresas de fomento comercial, securitizadoras de crédito e FIDCs, com forte atuação no mercado de recebíveis, a RGBsys, que tem atuação no mercado nacional, também está animada com as possibilidades de mudanças trazidas pelo decreto federal, apostando que a legislação irá revolucionar o mercado tradicional das factorings

“A tendência é que essa mudança de fluxo de capital aumente o número de fintechs no país, assim como a oferta de crédito, proporcionando taxas menores e mais concorrência entre os players. Para os ERPs, ou sistemas integrados de gestão, será necessário repensar as estratégias de acordo com os desafios trazidos pela possibilidade de 'automação' do crédito, inclusive se reposicionando no mercado”, analisa o sócio-fundador Ricardo Gruber Bernstein (ladeado pelos sócios Edson Alves Junior e Rogério Barbosa Borges).

Visão jurídica
João Francisco Lima - BVA Advogados 1aPara o advogado João Francisco Lima, especializado na área societária e sócio do BVA Advogados, o Decreto nº 9.544/2018 desburocratiza e confere maior celeridade à criação de novas empresas a partir do investimento estrangeiro.

“A medida denota um movimento interessante, visto que as fintechs estão trazendo cada vez mais inovações para o mercado de serviços bancários e financeiros, mas ainda assim é necessário observar os requisitos mínimos previstos pelo Bacen, como a recente Resolução nº 4.656”.


Felipe Barreto Veiga BVA Advogados 1aSegundo o sócio-fundador do mesmo escritório, o advogado Felipe Barreto Veiga, especializado na área de tecnologia, o mercado brasileiro anseia por capital estrangeiro para viabilização dos projetos, como se verifica nos recentes movimentos  da PagSeguro e da Stone para a abertura de capital no exterior.

“O novo decreto deve contribuir para um aquecimento do setor, principalmente porque ele está mais maduro e ainda existe bastante espaço para novas soluções envolvendo serviços financeiros, o que chama a atenção do investidor estrangeiro”, complementa.



Texto: Fintechs Press

Fotos: Divulgação empresas

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