Home       Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2018

Kria faz oferta pública baseada em blockchain

A oferta de valores mobiliários por meio de blockchain começa a se tornar realidade no Brasil a partir da quarta-feira.

A Kria, uma plataforma de equity crowdfunding - modalidade de financiamento coletivo que permite investir em participações nas startups -, inicia hoje a campanha de divulgação da primeira "Security Token Offering" (STO) do Brasil, marcada para dia 12.

Na oferta da Kria, os 25 mil títulos de dívida conversíveis em ações preferenciais serão emitidos na forma de tokens, baseados no Ethereum. A startup pretende captar R$ 1,2 milhão na operação que inaugura o mercado de STOs.

Na prática, a plataforma vai lançar uma nova forma de registrar ativos com uso de blockchain, a tecnologia por trás das criptomoedas. "Será como averbar ações ou qualquer valor mobiliário em um livro contábil, mas, no caso, de maneira digital", compara Frederico Rizzo, CEO da Arco, holding controladora da Kria.

De acordo com o executivo, a maioria das empresas iniciantes não mantêm registros confiáveis das participações societárias, o que compromete a governança e pode afastar potenciais investidores. O uso do blockchain resolve essas discrepâncias, porque os registros são imutáveis, seguros e transparentes, aponta.

Cada token vai representar - ou ter como lastro - um título de dívida emitido pela Kria. Essas unidades vão ficar armazenadas nas carteiras virtuais de cada investidor. A grande novidade do STO, além da "tokenização" dos ativos, será a criação de um serviço de estruturação, intermediação e liquidação de operações desses criptoativos.

Para isso a Arco criou uma nova empresa, a Basement, que vai funcionar como uma central de operações para ativos tokenizados. "O Basement vai fazer toda a adequação regulatória da oferta e também controlar as negociações e transferências dos tokens", explica Rizzo. O módulo vai realizar a adesão de investidores às emissões tokenizadas, a subscrição dos títulos oferecidos e os registros formais correspondentes.

Dessa forma, o serviço vai funcionar como uma espécie de câmara de registro e governança, centralizando informações desde o valor investido e porcentagem de participação até sobre quadros societários, passivos das empresas, eventos societários e de governança, como novas ofertas e aumento de capital.

De acordo com o CEO da Arco, como os investidores e as empresas envolvidas nas operações estruturadas pela Kria terão de se registrar no Basement, nenhuma negociação de tokens será anônima. "Mas os usuários não terão acesso às informações dos demais participantes." Rizzo explica que, se uma transferência for feita a uma carteira não registrada, o sistema cancela a operação.

Rizzo faz questão de ressaltar que a oferta pública da Kria não se trata de um Initial Coin Offering (ICO), que tem como objetivo lançar criptomoedas. A STO vai inaugurar um novo tipo de operação. Será uma forma mais simples, ágil, transparente e barata para captação de recursos dentro dos parâmetros da instrução 588, publicada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em julho de 2017.

A norma permite a startups com faturamento anual de até R$ 10 milhões fazer captações de até R$ 5 milhões por meio das plataformas de equity crowdfunding.

Fonte: Sérgio Tauhata, do Valor