Home       Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018

Nubank amplia tecnologia e oferta de produto após aporte

O aporte da gigante de tecnologia chinesa Tencent no Nubank deve ajudar a fintech a aperfeiçoar a tecnologia e oferecer mais produtos e serviços, além de melhorar a experiência do usuário, segundo especialistas.

Ontem, a empresa de cartões de crédito confirmou ter recebido US$ 90 milhões da chinesa que, além do investimento direto, também comprou a participação de outros acionistas por mais US$ 90 milhões. Com a negociação, o Nubank atinge valor de mercado estimado em US$ 4 bilhões e se torna a mais valiosa startup latino-americana. A valorização tende a aumentar conforme a fintech for aprimorando serviços e aumentando a base de clientes. "As empresas brasileiras têm dificuldade em escalonar o número de usuários. Os chineses têm conhecimento nisso, além de conhecer o business financeiro e a tecnologia das plataformas", diz Guilherme Horn, consultor da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs).

Para ele, a principal mudança para o Nubank será a absorção desses conhecimentos com a chegada da Tencent - que é dona de marcas como o WeChat, aplicativo que permite troca de mensagens e pagamentos na China. Ele afirma que a ideia da companhia é "se tornar um banco completo."

Marcelo Bradaschia, coordenador do curso sobre fintechs da FGV, concorda que a chegada da chinesa irá permitir que o Nubank "acesse outros tipos de tecnologia". Bradaschia ainda aposta que a participação da Tencent pode ampliar a região de atuação da empresa. "A Tencent tem estratégia global. Isso pode abrir para o Nubank oportunidades de, talvez, trabalhar em outros mercados."

Para Boanerges Freire, da consultoria especialista em meios de pagamentos Boanerges & Cia, o aporte pode marcar o começo de uma trajetória que trará transformações inovadoras para o setor financeiro do Brasil. "O prejuízo que o Nubank apresentou não é nada comparado ao que eles estão mirando, que é algo disruptivo que pode afetar os grandes bancos".

Em nota, David Vélez, presidente do Nubank disse que a companhia "gera caixa operacional desde o ano passado e não precisaria de capital no momento". Ele afirma, porém, que a empresa "não poderia deixar passar a oportunidade de trabalhar com a Tencent". O presidente da chinesa, Martin Lau, se disse "animado em participar das oportunidades de crescimento no Brasil e na América Latina."

Para os analistas, a transação beneficia não só o Nubank, mas todo o setor de startups, que passa a ser observado por outras gigantes da tecnologia mundial. Esse intercâmbio pode ser positivo para os dois lados, já que o mercado brasileiro ainda tem falhas que podem ser supridas pelas fintechs.

Fonte: Nathália Larghi, do Valor