Home       Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018

Santander diz que concorrência com fintechs não assusta

A concorrência das "fintechs" e das gigantes de tecnologia no mercado de serviços financeiros não assusta o Santander, afirmou Ana Botín, presidente global do grupo espanhol, durante evento em Londres.

A executiva ponderou, no entanto, que a regulação tem de ser justa.

"Se eu tomo depósitos e faço crédito tenho de estar regulado como um banco; algo que defendemos é que as normas sejam justas para todos, não nos assusta a concorrência desde que seja justa", disse.

A executiva defendeu o papel dos bancos dentro da transformação digital pela qual passa o setor. "Sempre haverá negócios bancários, os bancos tem uma função importante por serem regulados. No final, temos uma das coisas mais importantes, que é a confiança." O Santander, disse, é uma plataforma bancária que atua em dez países e "nos vemos com capacidade de ser uma das grandes plataformas financeiras globais".

A presidente do Santander ressaltou que o banco tem investido e feito parcerias com fintechs na busca de inovação. "Somo o banco da Europa que mais tem investido em fintechs e esse tipo de inovação redunda em inovação para os clientes no final, sempre com garantia e confiança de um banco."

Questionada sobre a concorrência das gigantes de tecnologia que reúnem grande quantidade de informações de usuários e podem usá-las para oferecer serviços financeiros, afirmou que "o mais importante é que quaisquer dados [estejam acessíveis], se eu tenho dados para oferecer melhores serviços e se as plataformas também têm é importante compartilhar para que possamos oferecer melhores serviços ao consumidor".

Ana Botín citou as inovações que o banco vem desenvolvendo nos últimos anos. "Somos a primeira entidade no mundo a lançar um sistema de pagamento internacional baseado no blockchain puro, o One Pay, que queremos oferecer futuramente ao mercado aberto." De acordo com Ana, a tecnologia permite "fazer transferências, em alguns casos, instantâneas, e enviar valores para qualquer pessoa em qualquer lugar" e foi desenvolvida junto com uma startup.

O sistema Openbank, de banco 100% digital do grupo, também foi lembrado pela CEO do Santander. "O Openbank era um banco por meio de telefone que lançamos há 15 anos e estamos estruturando para ser nosso banco 100% digital e ser separado dos sistemas tradicionais do banco."

A primeira operação fora da Espanha do Openbank será lançada em 2019 na Argentina. "Percebemos que há muitas pessoas jovens que não precisam ir a agências e na Argentina achamos que há um mercado para o banco digital", afirmou. A operação, explicou Ana, consegue atender "1 milhão de clientes com apenas 60 funcionários e isso nos permite oferecer um serviço diferenciado".

A presidente do Santander sinalizou ver como seu grande concorrente na operação brasileira o Itaú Unibanco e expressou o objetivo de alcançar a liderança no país dentre os bancos privados. "Se queremos ser melhores que o Itaú no Brasil, só vamos conseguir trabalhando junto com o grupo todo", disse na abertura de sua apresentação.

A operação no Brasil representou 27% dos resultados do grupo espanhol no mundo no primeiro trimestre e se consolidou na liderança de principal mercado do Santander. Conforme a executiva, as filiais da América Latina já representam cerca de 51% do resultado do grupo. Ana explicou que a oscilação em termos de qual mercado contribui mais para o lucro do banco é positiva. "Em algum momento pode ser de novo que Espanha e Europa voltem a ter desempenho melhor. Como reportamos [os resultados] em euros, então a mudança de moedas afeta bastante", ponderou.

Para a executiva, a guerra comercial e a normalização da política monetária nos Estados Unidos não vão impedir a América Latina de continuar crescendo. "Sigo sendo otimista com os países da região e a perspectiva de crescimento não vai ser abalada." Segundo ela, "a mensagem é a de que, apesar das aparências, as condições que temos hoje no mundo não são desfavoráveis, o crescimento global é o mais elevado dos últimos cinco anos".

Fonte: Sérgio Tauhata, do Valor