Home       Domingo, 21 de Outubro de 2018

Corte vê indício de lavagem de dinheiro em crédito do BB para Val Marchiori

O ministro André Luís de Carvalho, do TCU, vai pedir nesta quarta-feira (19) que a corte multe gestores do Banco do Brasil por supostas fraudes em empréstimos concedidos a uma empresa da apresentadora e socialite Val Marchiori.

Em voto a ser apresentado em plenário, ele sustenta haver indícios de lavagem de dinheiro em operações feitas pela firma dela, após a obtenção dos recursos.

A Torke Empreendimentos, que tinha Marchiori como sócia, obteve em 2013 financiamento de R$ 2,7 milhões para a compra de cinco caminhões. O dinheiro vinha do Programa de Sustentação do Investimento, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Outros R$ 200 mil, de linha de crédito do próprio Banco do Brasil, foram liberados para a compra de um Porsche Cayenne, de uso da apresentadora. O caso foi noticiado pela Folha de S.Paulo em 2014.

O TCU abriu uma investigação e pautou o caso para julgamento em setembro do ano passado. O relator do processo, ministro José Múcio Monteiro, discordou dos auditores -que propunham multas- e votou para que os gestores do BB não fossem punidos.

Houve pedido de vista de Carvalho, que apresentará nesta quarta posição divergente. Segundo ele, a Torke visava cuidar da carreira de Marchiori e proteger o patrimônio dos filhos dela de eventual litígio de um casamento.

Contudo, orientada pelo próprio banco de que o objeto social não era compatível com a obtenção do financiamento para os caminhões, ela providenciou "simuladamente alterações estatutárias fraudulentas" para que a empresa passasse a prestar, "apenas formalmente", serviços de carga e de locação de veículos e equipamentos, entre outros.

"Promovida essa evidente simulação fraudulenta, sobreveio, em menos de um mês, a celebração do correspondente contrato de financiamento", escreveu Carvalho.

"Tanto os agentes públicos do BB quanto a referida empresária tinham expressa ciência de que a referida 'manobra estatutária' [no registro da empresa] se destinava unicamente a permitir o indevido acesso à linha de crédito empresarial, a despeito do interesse exclusivamente pessoal da sra. Marchiori."

Ele levanta a hipótese de Aldemir Bendine, amigo da socialite e ex-presidente do BB, ter obtido alguma vantagem.

O advogado de Marchiori, André Boiani, disse que não teve acesso ao voto de Carvalho, mas reiterou que denúncia oferecida pelo MPF (Ministério Público Federal) contra sua cliente foi rejeitada em duas instâncias pela Justiça Federal.

"Conhecendo o processo criminal a respeito, muito me surpreende essa posição do [ministro do] TCU, porque não há elementos para falar uma coisa dessas. Houve uma investigação muito severa por parte da Polícia Federal. Todos [na Justiça] concordaram que não tem nenhum indício de irregularidade", afirmou.

O advogado de Bendine, Alberto Toron, afirmou que só atua para ele na área criminal, mas ratificou que a rejeição da denúncia sobre o caso pela Justiça Federal indica que seu cliente não praticou nenhuma irregularidade.

O Banco do Brasil informou que, em 2014, prestou todas as informações solicitadas pelo TCU e demonstrou a regularidade das operações citadas.

Fonte: Bem Paraná